terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fã nº 1

Semana passada me deu a louca e fui até o Sesc comprar ingresso pro show do Karnak. Eu sei, não tô com dinheiro sobrando, mas é uma questão de tradição.

Na verdade, além da questão financeira, estava preocupada porque não teria onde passar a noite, já que meus amigos do Anhangabaú tinham mudado para o Brás e eu não sei chegar até lá sozinha. Aí, conversando com um deles, soube que eles mudaram de novo, desta vez para a Av. São João, onde eu já me localizo melhor. Resolvi verificar os horários dos shows (que acontecerão dias 12 e 13) para combinar, e vi que o de domingo será 18h!!! Dá pra ir e voltar pra Sorocaba no mesmo dia!

Sem dúvida, foi a melhor surpresa dos últimos tempos. Frequento os shows da banda desde 1998. Na época, ia a mais ou menos um show a cada dois meses, junto com meu irmão e minha mãe (às vezes só meu irmão). Os integrantes já nos conheciam, entrávamos no camarim e várias vezes nem precisei de ingresso, porque colocavam meu nome na lista.

Após um show em 1999, Marcos Bowie, o trompetista e backing vocal que eu diria que é o melhor músico da banda se não fosse heresia - porque todos são fantásticos - teria que sair imediatamente em direção ao aeroporto porque tinha uma viagem marcada (ele até comentou isso durante o show, não é um amor?) e não poderia falar com os fãs. Terminado o espetáculo, fiquei na calçada esperando quem viria me buscar (nem lembro quem era), quando vejo um sujeito abrindo o vidro do carro e gritando meu nome. Era ele falando tchau! No meio da rua, com todos os outros fãs olhando. Foi meu momento de glória.

No documentário O Livro Multicolorido de Karnak, lançado em 2006, meu nome aparece nos créditos, sem eu ter feito absolutamente nada.

A partir de 2000 fui diminuindo o ritmo e no final de 2002 a banda anunciou que iria acabar. Acho que nunca chorei tanto na minha vida. Fui aos dois últimos shows, no Sesc Pompéia, e no final do último, quando começaram a tocar Martim Parangolá, música geralmente usada no encerramento, eu tive uma crise violenta de choro. Estava perto do palco, em pé, quando André Abujamra anunciou: "o Karnak acabou, mas, pra vocês não ficarem tristes, a gente promete que vai dar um show por ano."

Eu juro que tive a sensação de que ele tinha olhado pra mim meio segundo antes de falar isso. Era só uma agradável fantasia de onipotência, até que no show de 2003 o André fala: "a gente ia acabar o ano passado, mas tinha uma menina de óculos aqui na frente chorando tanto que resolvemos tocar uma vez por ano."

DE NADA, BRASIL.

Desde então tenho ido em todos os shows, praticamente. Lembro de ter perdido um ou outro no Sesc Pompéia (onde eles se apresentam quase todo fim de ano), mas nunca fiquei um ano inteiro sem assistí-los. Às vezes eles tocam na Virada Cultural (2006 e 2007), e em 2007 o show de final de ano foi em Sorocaba! :) Em 2008 vivi uma verdadeira aventura para vê-los.

Depois de tudo, e de um ano na minha vida que eu considerei muito bom, não tinha como encerrar 2009 sem um showzinho do Karnak.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os Caras X Losers

Não que eu tenha me surpreendido, mas não deixei de sentir vergonha alheia pelo comentário ignorante do CQC Rafinha Bastos sobre Leila Lopes no Twitter. (Disse que qualquer um se suicidaria se fosse Leila Lopes).

Como é de praxe, ao ser repreendido, reagiu com ainda mais grosseria, dizendo que a vida é ótima e suicida tem mais é que "se foder".

Não sou intolerante com piadas sobre tragédias ou mortos famosos, mas se o cara não consegue sentir empatia com uma pessoa que:

- faleceu há um dia;

- trabalhou no mesmo ramo que ele (TV);

- pertenceu praticamente à mesma categoria profissional;

- fez pequenas participações no seu programa;

- não fez absolutamente nada que o prejudicasse individual ou socialmente;

- teve morte trágica e inesperada,

já não dá pra considerá-lo um ser humano.

Acho normal que façamos piada para amenizar o gosto ruim perante uma desgraça. É um processo inconsciente, um tipo de defesa. Sem essas defesas seria impossível viver em sociedade. Se nos colocássemos o tempo todo no lugar dos outros, sofrêssemos cada dor de cada pessoa que cruza nosso caminho teríamos uma depressão vitalícia, fato. Para viver numa metrópole, faz-se necessária certa dose de objetificação, um processo que transforma o homem que pega ônibus com você num ser tão humano quanto um rastelo. O Alex Castro falou sobre isso ontem e está fazendo um exercício de empatia bem interessante em seu blog.

O que chama a atenção na atitude do digníssimo humorista do inteligentíssimo programa não é o fazer piada com uma morte qualquer; mas sim o fato de se tratar de uma pessoa relativamente próxima, se considerarmos os itens que listei acima. Ultrapassa todos os limites das consideradas defesas saudáveis, chegando a um nível, na minha opinião, patológico.

E aí que, se fosse uma patologia pessoal do sr. humorista, eu não estaria nem aí (porque aí a minha objetificação entraria em cena, rá rá rá), mas trata-se de um rumo social. Porque o cara tem milhares de seguidores no Twitter (incluindo, provavelmente, meu irmão). Seu programa, que tem como integrante o sujeito que chamou negro de macaco e não vê nada de mau nisso, atinge muitos pontos no ibope e é chamado por aí de "humor inteligente".

Tudo a ver com uma sociedade dividida entre "Os Caras" X "Losers". Os Caras geralmente são homens, brancos, heteros, ricos, viajados, reconhecidos profissionalmente. Os Losers são os artistas que não estão na mídia, as mulheres que "embarangaram", homossexuais ou heteros com trejeitos homossexuais, suicidas, pobres, cafonas. E aí você não pode cruzar a fronteira. Tipo Alemanha nazista, mesmo. Sentiu compaixão por um judeu, vai ser tratado como um deles. Eu, que sou jovem, hetero, classe média, nível superior completo e relativamente dentro do padrão de beleza, quando toco nesse assunto, viro "mal-comida", "areia na vagina". Só que é dar tiro no pé, porque todo mundo tem um lado gay, cafona, depressivo, etc. E aí a guerrinha dos Caras contra os Losers vira uma questão do quanto você consegue dominar seu lado considerado podre pra aparentar ser limpinho e entrar no primeiro grupo (isso entre os que ainda têm chances, claro. Há os que não podem disfarçar que são pobres, por exemplo). A alienação, a objetificação e a falta de consciência (social e egóica) viram os carros-chefe da pessoa que entra nesse jogo.

O barato é que os caras fazem um humor que gera essa divisão e se acham modernos. Eu rio, rio muito. Porque gongar uma pessoa se colocando num degrau acima, por ser branco, ou homem, ou não-suicida, ou o que quer que seja, é a volta do pensamento romântico, lá do século XIX, onde apenas o homem europeu era ser humano; os demais, eram parte da natureza. A mulher, o africano, o índio, eram utensílios, como a escumadeira, o lençol e a carroça. Sob esse ponto de vista, não é difícil imaginar como um capítulo tão tenebroso da história da humanidade como a escravidão tenha sido possível, ou como pôde um pai negociar um casamento para a filha.

Vejo que, apesar de muitos avanços no século XX, principalmente com os movimentos libertários dos anos 70, existe uma forte corrente de pensamento retrógrado que tenta vender conceitos arcaicos como o supra-sumo da modernidade. Cabe a nós decidir se vamos comprá-los.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Plunct Plact Zum/Pode Partir Sem Problema Algum

Já estamos em dezembro e é hora de começar as retrospectivas.

Em 2009 Dona Morte trabalhou duro. Fiquei chocada com a quantidade de famosos que faleceram este ano (por enquanto):


- Clodovil


- Zé Rodrix


- David Carradine (o Bill, de Kill Bill)


- Sérgio Viotti (ator da Globo)


- Michael Jackson


- Farrah Fawcett


- Patrick Swayze


- Lévi-Strauss


- Mercedes Sosa


- Anselmo Duarte


- Mara Manzan


- Herbert Richers


- Celso Pitta


- Lombardi


- Leila Lopes

Alguns desses, como Zé Rodrix e Mercedes Sosa, fizeram um belíssimo trabalho e me surpreenderam com a partida repentina.


Outros, como Lévi-Strauss e Anselmo Duarte, embora eu admirasse profundamente, penso que a qualquer hora faleceriam, mesmo (o primeiro tinha quase 101 anos, o outro, 89). Já outros, como Clodovil e Celso Pitta, acho que foram tarde.

Em contrapartida, um defunto resolveu ressuscitar na minha vida, certamente empolgado pela execução constante de Thriller, na época.


Felizmente já faleceu de novo. Da próxima vez, estarei esperando a caráter.

Faz o Michael que eu faço a Alice.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Beleza Interior

O ginecologista, fazendo ultrassom no meu ovário:

- Que trompa bonita!

Existe modelo de mão, de pé, de cotovelo, de joelho... pena que de trompa eu ainda não vi.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Justificativa

Os problemas dessa semana sugaram temporariamente minha capacidade de postar. Mas já estou melhorando...

Update: 30/11/09

Então, pra ficar mais claro, aconteceram alguns problemas que acabaram se transformando em problemas financeiros. Tá confuso, eu sei, mas não dá pra entrar em muitos detalhes. O fato é que pode ser que eu perca mais ou menos metade da minha renda mensal a qualquer momento, e isso torna impossível qualquer planejamento futuro, inclusive minha viagem. Pelos meus cálculos, mesmo com essa perda repentina, ainda há chances de que eu consiga viajar, mas não dá pra ter certeza de nada.

Já pensei em trancar o conservatório e vender a flauta, mas pra vendê-la rápido eu teria que baixar muito o preço, o que me recuso a fazer, afinal, ela tem um valor sentimental. De resto, não tem nada que eu possa vender pra levantar dinheiro até fevereiro. Felizmente, meus pacientes na clínica tem sido muito assíduos e consegui mais um particular.

Por isso o desânimo. Ultimamente só tenho tido vontade de trabalhar, ler, ver filme e dormir.

Obs. 1: Não quero nem lembrar que dias 11 e 12 tem show do Karnak no Sesc Pompéia e eu não vou.

Obs. 2: Pra ajudar, amanhã tem ginecologista.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Deu no UOL


Com a temperatura chegando a 37°, salas sem ar condicionado e muitos ventiladores quebrados, é difícil exigir que o profissional use calça comprida. A mãe de uma estudante, cabeleireira, exprimiu exatamente o que eu penso a respeito do assunto: "Acho que vai do comportamento do professor. Ele pode usar uma blusa até o pescoço, uma calça comprida, e não ter uma postura boa como professor. Então, para mim é indiferente".

Todos os pais citados na matéria concordaram que não há nada de mais em trabalhar de bermuda na área de educação. A surpresa? Os alunos.

"Acho que todos os professores deveriam seguir as regras da escola e vir com uma roupa específica para o trabalho que ele faz. Acho que faz mal vir de bermuda, porque isso mostra que eles não entendem muito da matéria, não conseguem ensinar muito e só vai lá para marcar o ponto, e não para ensinar" - Davi Dutra Monteiro, de 13 (!!!) anos.

"Tem que ser mais formal, pô. Mas aí vai de cada um, né?" - Leonardo Cardoso, 16 anos (Senhor, com 16 anos eu estava barbarizando a escola!)

Às vezes eu penso que estamos andando pra trás... olha, não é querer que eles peguem em armas pra lutar contra a opressão, mas assim... a adolescência é a fase onde as pessoas contestam a formalidade, o conservadorismo, vão contra tudo e todos, pra depois formar uma opinião própria, que pode pender para qualquer lado, mas é genuína porque partiu da experiência de cada um em experimentar a obediência e a rebeldia.

Quando eu vejo adolescentes e pré-adolescentes brigando para manter tudo como está, fico muito descrente do futuro da sociedade. Um menino de 13 anos dizendo que a roupa define o quanto o professor sabe da matéria é o fim da picada.

domingo, 22 de novembro de 2009

Bom dia, pessoal!

Este é um post programado, foi escrito ontem à tarde. Como tinha uma festa em Itapetininga marcada pra noite, provavelmente ainda nem cheguei em casa agora; se cheguei, estou dormindo. Então vou deixar aqui o questionário que a Rachel me convocou pra responder no blog.

1) Que horas são? 12h14.

2) Nome? L. (hahaha)

3) Quantidade de velas no seu último bolo de aniversário: Uma, simbólica. Cantamos parabéns em volta de um drink, se pusesse aquelas velas grandes em forma de número não ia sustentar, o fogo tocaria no álcool da bebida e seria uma catástrofe.

4) Furos nas orelhas? 4 em cada.

5) Tatuagens? Zero.

6) Piercings? Zero.

7) Já foi à África? Ainda não, infelizmente.

8) Já ficou bêbado? Hoje, ainda não.

9) Já chorou por alguém? Hoje ainda não, também.

10) Já esteve envolvido em algum acidente de carro? Hoje ainda n... brincadeira. Acidente, mesmo, não. Só uma batidinha, mas nem foi de carro, foi de ônibus.

11) Peixe ou carne? Pode ser frango?

12) Música preferida? Essa é sacanagem.

13) Cerveja ou Champanhe? Champanhe, mas tem ocasiões que pedem cerveja.

14) Metade cheio ou metade vazio? Metade cheio.

15) Lençóis de cama lisos ou estampados? Tanto faz.

17) Programa de televisão? Atualmente, só vejo Esquadrão da Moda.

18) Filme preferido? Esse também é sacanagem. Em todo caso, ver post anterior.

19) Está ouvindo alguma música agora? Só o barulho do cooler.

20) Flores? Não tenho uma preferida...

22) De que pessoa recebeu esse questionário? Da Rachel.

23) Qual o amigo mais distante que você tem? Agora não sei, acho que nenhum realmente distante. Irmão e cunhada não vale, né? Então são os de Floripa, mesmo.

24) O melhor amigo? Isso também não é fácil de responder, depende da nossa rotina e de quem acaba ficando mais próximo em determinada época. Mas vou citar o Gui, de Floripa, porque independente do tempo que passemos sem nos ver, cada reencontro é como se nunca estivéssemos ficado longe (nossa, que profundo isso!)

25) Hora de dormir? Tento dormir cedo, umas 22h30. Mas depende do dia...

26) Quem acha que vai responder esse questionário mais rápido? Não sei.

27) Quantas vezes você deixa tocar o telefone antes de atender? O suficiente pra chegar até ele.

28) Qual a figura do seu mouse-pad? Uma mancha de desgaste.

29) CD preferido? Também me recuso a escolher isso.

30) Mulher bonita? Tem várias que eu acho incríveis, mas acho que a mais-mais é a Monica Bellucci.

31) Homem bonito? César Cielo; apesar de ter me traído com aquela modelo, continua lindo.

32) Pior sentimento do mundo? Depressão (não é sentimento, mas tudo bem).

33) Melhor sentimento do mundo? Felicidade.

34) O que uma pessoa não pode ter para estar com você/ter sua amizade/companhia? Essa lista é grande! Hehehe... mas, de cara, eu citaria preconceitos aflorados, ignorância e arrogância.

35) O primeiro pensamento que você tem ao acordar? Geralmente penso no que sonhei.

36) Se pudesse ser outra pessoa, quem seria? Quero ser John Malkovich.

38) O que é que você tem debaixo da cama? Poeira, às vezes um gato, também.

39) Nome da pessoa que talvez não responda ao questionário? A maioria.

40) Aquele que com certeza vai te responder? Não faço ideia.

41) Quem gostaria que te respondesse? Ninguém especificamente.

42) Uma frase: Nenhuma de minha autoria... mas lembrei de uma poesia visual do Arnaldo Antunes que gosto bastante, é "não se vê os cantos de campo amplo".