Semana passada me deu a louca e fui até o Sesc comprar ingresso pro show do Karnak. Eu sei, não tô com dinheiro sobrando, mas é uma questão de tradição.
Na verdade, além da questão financeira, estava preocupada porque não teria onde passar a noite, já que meus amigos do Anhangabaú tinham mudado para o Brás e eu não sei chegar até lá sozinha. Aí, conversando com um deles, soube que eles mudaram de novo, desta vez para a Av. São João, onde eu já me localizo melhor. Resolvi verificar os horários dos shows (que acontecerão dias 12 e 13) para combinar, e vi que o de domingo será 18h!!! Dá pra ir e voltar pra Sorocaba no mesmo dia!
Sem dúvida, foi a melhor surpresa dos últimos tempos. Frequento os shows da banda desde 1998. Na época, ia a mais ou menos um show a cada dois meses, junto com meu irmão e minha mãe (às vezes só meu irmão). Os integrantes já nos conheciam, entrávamos no camarim e várias vezes nem precisei de ingresso, porque colocavam meu nome na lista.
Após um show em 1999, Marcos Bowie, o trompetista e backing vocal que eu diria que é o melhor músico da banda se não fosse heresia - porque todos são fantásticos - teria que sair imediatamente em direção ao aeroporto porque tinha uma viagem marcada (ele até comentou isso durante o show, não é um amor?) e não poderia falar com os fãs. Terminado o espetáculo, fiquei na calçada esperando quem viria me buscar (nem lembro quem era), quando vejo um sujeito abrindo o vidro do carro e gritando meu nome. Era ele falando tchau! No meio da rua, com todos os outros fãs olhando. Foi meu momento de glória.
No documentário O Livro Multicolorido de Karnak, lançado em 2006, meu nome aparece nos créditos, sem eu ter feito absolutamente nada.
A partir de 2000 fui diminuindo o ritmo e no final de 2002 a banda anunciou que iria acabar. Acho que nunca chorei tanto na minha vida. Fui aos dois últimos shows, no Sesc Pompéia, e no final do último, quando começaram a tocar Martim Parangolá, música geralmente usada no encerramento, eu tive uma crise violenta de choro. Estava perto do palco, em pé, quando André Abujamra anunciou: "o Karnak acabou, mas, pra vocês não ficarem tristes, a gente promete que vai dar um show por ano."
Eu juro que tive a sensação de que ele tinha olhado pra mim meio segundo antes de falar isso. Era só uma agradável fantasia de onipotência, até que no show de 2003 o André fala: "a gente ia acabar o ano passado, mas tinha uma menina de óculos aqui na frente chorando tanto que resolvemos tocar uma vez por ano."
DE NADA, BRASIL.
Desde então tenho ido em todos os shows, praticamente. Lembro de ter perdido um ou outro no Sesc Pompéia (onde eles se apresentam quase todo fim de ano), mas nunca fiquei um ano inteiro sem assistí-los. Às vezes eles tocam na Virada Cultural (2006 e 2007), e em 2007 o show de final de ano foi em Sorocaba! :) Em 2008 vivi uma verdadeira aventura para vê-los.
Depois de tudo, e de um ano na minha vida que eu considerei muito bom, não tinha como encerrar 2009 sem um showzinho do Karnak.




